Resenha: Mauricio, A História Que Não Está No Gibi – Mauricio de Sousa

Mauricio
A História Que Não Está No Gibi
Autor: Mauricio de Sousa
Editora: Primeira Pessoa
Páginas: 336
Ano: 2017
Gênero: Biografia, Não ficção
Classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
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📚 E-book recebido em parceria com a Editora Arqueiro.

Ler a biografia de Mauricio de Sousa é uma experiência deliciosa. Há livros de memórias que falham ao tentar traduzir em palavras a riqueza da trajetória de vida de seus protagonistas, seja por conta da falta de familiaridade destes com o ato de escrever, seja por confiarem a redação a um terceiro, às vezes não suficientemente capacitado; não é o caso deste.

Mauricio é um sublime contador de histórias e o resultado é uma narrativa interessantíssima, escrita de maneira impecável. Seu texto cativa, surpreende, emociona e faz com que o leitor vibre com as reviravoltas. Afinal, é como poder testemunhar as conquistas de um grande amigo, daqueles com quem convivemos desde os melhores anos da nossa infância.

Nascido em Santa Isabel, no estado de São Paulo, Mauricio fez de tudo um pouco até se tornar desenhista: foi engraxate, coletor de pedidos para uma empresa de bebidas e até um cantor-mirim com boas perspectivas. Inspirado pelos quadrinhos de Disney, Will Eisner e outros, adotou um visual parecido com o do detetive Dick Tracy – chapéu e sobretudo – ao longo de seus cinco anos como repórter policial na Folha da Manhã, um dos jornais que deram origem à Folha de São Paulo. Apesar de já ilustrar algumas matérias, as tirinhas e os personagens que o tornariam célebre só começariam a aparecer em 1959, aos 24 anos de idade. Bem antes de Mônica e Cebolinha, surgiu um certo cãozinho azul chamado Bidu, hoje símbolo da Mauricio de Sousa Produções.

Logo, as tiras de Piteco e Cebolinha – este, inspirado em um amigo de Mogi das Cruzes que falava “elado” e tinha cabelo espetado – viriam a compor a primeira leva de personagens, cujas tiras seriam enviadas a redações de jornais e também a paróquias. Eram tempos muito diferentes dos de hoje, e o Mauricio do início de carreira era praticamente um caixeiro-viajante, percorrendo diversas cidades do interior de São Paulo para comercializar sua produção. Por mais que fosse talentoso e que suas histórias agradassem a todas as idades, por conta da falta de malícia, violência e palavras de baixo calão, o desenhista passou por maus bocados até conseguir fazer algum dinheiro e sustentar a família.

A biografia conta como o estúdio, outrora chamado de Bidulândia e instalado na sala de casa, passou a ocupar alguns andares de um prédio contíguo à Folha e, em seguida, chegou à sua sede na Rua do Curtume (nome ainda presente na memória de quem lia as seções de cartas das revistinhas). Hoje, a MSP possui mais de 300 funcionários e está localizada em ponto nobre da capital paulista. Ao longo dos anos, Mauricio e sua equipe fizeram parte de variados projetos, como o Parque da Mônica, a tradução das publicações para diversos idiomas, a colaboração com Pelé e Xuxa, o lançamento de desenhos animados para a TV, cinema e internet, o lançamento de graphic novels ilustradas por artistas em ascensão… quase sempre, a pergunta que dava início a cada um deles era: “Por que não?”. Desnecessário dizer, as respostas vieram frequentemente na forma de grandes sucessos. Poucos foram os fracassos, e todos eles estão registrados como aprendizado.

Quanto a mim, não consegui parar de ler e posso dizer que o final me emocionou. Além disso, há várias fotos incríveis de ocasiões que eu desconhecia, como o encontro de Mauricio com o papa João Paulo II. Todos os capítulos são marcados por muita nostalgia, seja por um mundo que hoje só resiste nas memórias de quem pôde brincar na rua e nadar no rio, seja pela alusão a tantos momentos que marcaram a minha vida. Lembro de ter comprado a primeira revista da Magali, que veio dentro de uma caixinha especial; de ter corrido pelos brinquedos do Parque da Mônica – descalço, assim como seus idealizadores tinham planejado; de ter visto os anúncios para ligar no 0900 da turminha e ouvir histórias inéditas. Essa biografia foi feita tanto para quem já passou da casa dos trinta, como eu, quanto para as gerações que curtem a Turma da Mônica Jovem e pouco sabem a respeito de como ela se tornou possível. Acredito que, independentemente da sua idade, você também terminará a leitura com um sorriso no rosto.

Recomendo a todos, sem exceção.

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Ronan Sato
Especialista em assuntos aleatórios. Apesar de descendente de japoneses, não sabe afirmar com certeza se prefere comida indiana ou sushi.

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24 comentários sobre “Resenha: Mauricio, A História Que Não Está No Gibi – Mauricio de Sousa

  1. Oie!
    Eu vi hoje uma foto da edição desse livro e achei linda! Confesso que de inicio, não fiquei muito interessada no livro, mas depois da sua resenha, percebi que preciso ler.
    Conheço pouco sobre a história do Mauricio de Souza, mas percebi que esse sera um livro que preciso ler.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ain, deve ser mesmo uma delícia ler essa belezinha! Adorei a sua resenha e fiquei encantada com a riqueza que está esse livro. Sou super fã dele, os gibis foram a minha infância e até hoje eu curto bastante e acho super legal a repaginada que deram na turma.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Oi, Ronan!!

    Maurício de Sousa fez parte da nossa infância, né? Eu também me acabei no Parque da Mônica (devo ter ido umas três vezes quando era pequena) e lia muito esses quadrinhos. Minha mãe me comprava as edições normais dos gibis e de vez em quando aquela edição enorme com várias histórias e algumas páginas para pintar, escrever e resolver enigmas.

    Confesso que mesmo velha acabei comprando alguns Turma da Mônica Jovem, mas acho que quando passamos da idade as histórias não têm o mesmo efeito.
    Achei a edição linda, mas infelizmente não pedi esse livro para a editora porque nesse mês era a vez de outras meninas do blog pedirem. Quem sabe mais para frente, né?

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi, Carolina! O Parque da Mônica (no Shopping Eldorado, porque não conheço a nova versão) era demais, devo ter ido umas duas vezes e tenho muita saudade. O Almanacão de Férias também foi muito presente na minha infância.
      Espero que você consiga ler essa biografia em uma futura oportunidade 🙂 Abraços.

      Curtir

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