Resenha: Para Educar Crianças Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Para Educar Crianças Feministas
Título Original:
Dear Ijeawele, or a Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions
Autora:
Chimamanda Ngozi Adichie
Editora:
Companhia das Letras
Páginas:
96
Ano:
2017
Gênero:
Ensaios

Classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ 
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Li este manifesto — uma carta escrita por Chimamanda Adichie à uma amiga de infância que acabara de dar à luz — não como uma mulher e mãe, mas como um homem branco que reconhece seus privilégios e reproduz comportamentos e pensamentos machistas. Para aqueles na mesma condição, mas que também buscam repensar sua forma de se relacionar com o mundo, este livro é uma aula. A autora oferece quinze sugestões para que a pequena Chizalum seja educada em uma perspectiva feminista e o ideal seria que elas fossem lidas atentamente por homens que pretendem, ou não, ser pais. (A propósito, há um documentário também poderoso chamado “The Mask You Live In”, disponível no Netflix, que mostra como a ideia do “macho dominante” afeta psicologicamente crianças, jovens e adultos, principalmente nos Estados Unidos. Ótimo complemento para a leitura.)

Para mim, o texto de Chimamanda Adichie cumpriu seu propósito. Eu já tinha alguma familiaridade com a autora por conta de uma palestra em um TED Talk, mas o ato de ler esta carta — escrita com a franqueza que só usamos com os verdadeiros amigos — provocou um impacto muito maior que o de uma apresentação de palco. Não posso deixar de ressaltar uma passagem: “Diga a Chizalum que as mulheres não precisam ser defendidas ou reverenciadas; só precisam ser tratadas como seres humanos iguais”. Mais claro, impossível. As quinze sugestões que compõe o manifesto compreendem desde a forma de arrumar o cabelo (ei, Otaviano Costa, estamos de olho!) até as visões discrepantes de casamento passadas adiante, desde cedo, a homens e mulheres. Tudo explicado de forma objetiva e de fácil compreensão.

É interessante poder conhecer mais sobre alguns dos costumes e tradições do povo Igbo, habitante do sudeste da Nigéria, do qual fazem parte as três mulheres mencionadas no livro. Chizalum, filha de Ijeawele, é aconselhada por Chimamanda a abraçar as virtudes dessa sociedade, ainda que tão misógina e patriarcal, e valorizar aspectos como “a comunidade, o consenso, a dedicação ao trabalho e a beleza da língua e dos provérbios, cheios de profunda sabedoria”. Além disso, o livro traz colocações importantes a respeito do racismo. A autora alerta: “Encontre heróis e heroínas negros na história. Existem. Você talvez precise contradizer algumas coisas que ela aprenderá na escola — o currículo nigeriano não é muito imbuído da ideia de ensinar as crianças a sentirem orgulho de sua história. Os professores serão ótimos em ensinar matemática, ciências, artes e música, mas você mesma é que terá de lhe ensinar orgulho”.

Agradeço pela oportunidade de ter tido acesso a Para Educar Crianças Feministas. Trata-se de uma leitura essencial e absolutamente urgente. Leia, recomende e reforce sua mensagem.

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ronan
Ronan Sato
Especialista em assuntos aleatórios. Apesar de descendente de japoneses, não sabe afirmar com certeza se prefere comida indiana ou sushi.

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18 comentários sobre “Resenha: Para Educar Crianças Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

  1. Oiii Ronan tudo bem?
    Esse realmente parece ser um livro incrível de se ler, gostei da sua opinião e acredito que todas as pessoas deveriam o ler independente da idade e tendo certo apoio, adoro essa capa.
    Beijinhos

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  2. Oi, Ronan
    Fico contente que tenha gostado da leitura. Esses livros devem ser lidos por homens também. Super amei!
    Tenho curiosidade em ler a obra e ver os ensinamentos dela, bem como os alertas. Uma leitura essencial com certeza.

    Livros, vamos devorá-los

    Curtido por 1 pessoa

  3. Oi, Ronan! Nossa, parece ser um livro muito interessante e com sugestões que faz o leitor ver o mundo por uma outra perspectiva. Sua resenha está ótima, eu não conhecia esse livro, mas fiquei bastante curiosa para conferir. Obrigada pela dica. Bjss!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Oi, Ronan!!

    Eu também gostei muito dessa carta/manifesto da Chimamanda. Acho que fala de uma forma clara e sincera sobre problemas que diversas mulheres enfrentam diariamente.
    Obviamente, como sou mulher e branca, não compreendo tão bem quanto ela a questão do racismo. Mas como latina-americana, sei o que é não ter um herói nacional para se orgulhar.

    Mas acho que essa carta deve ser lida não só por homens, mas por muitas mulheres que perpetuam o machismo até hoje. Criando esteriótipos para meninos e meninas que geram inseguranças, incertezas e infelicidades.

    Não vi esse documentário ainda, mas eu gostei do trailer. Espero conseguir um tempinho para assistir também.

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi, Carolina! Você tem razão. O conteúdo da carta vale para homens e mulheres, e de nada adianta ler se o comportamento se mantiver o mesmo. Quanto ao documentário, vale muito a pena reservar um tempinho. Um abraço 🙂

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  5. Olá ♥
    Não conhecia o livro, mas com toda certeza já me chamou atenção logo pelo titulo.
    Parece realmente ser uma leitura fascinante . O tema é bem presente no nosso cotidiano então com toda certeza a leitura deve nos enriquecer com algumas sabedorias.Amei a resenha, beijos!

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