Resenha: A Revolução dos Bichos em HQ – George Orwell & Odyr

A Revolução dos Bichos em HQ
Título Original: Animal Farm
Autor: George Orwell
Ilustrador: Odyr Bernadi

Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 176
Ano: 2018
Gênero: HQs, Graphic Novels, Adaptações
Classificação:⭐⭐⭐⭐⭐
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📚 Livro recebido em parceria com o Grupo Companhia das Letras

Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros” – provavelmente, em algum momento da vida, você já deve ter lido esta obra-prima de George Orwell e se deparado com essa frase, que continua bastante atual. Mesmo sendo um clássico escrito em plena Segunda Guerra Mundial e tantas vezes adaptado, A Revolução dos Bichos surpreende nesta edição por sua qualidade gráfica impressionante, mérito do quadrinista gaúcho Odyr. Cada quadro foi pintado em tinta acrílica, o que confere à narrativa uma carga dramática ainda mais intensa.

A história começa com o porco Major, já idoso, convocando os animais da Granja do Solar para uma reunião extraordinária. Ele tinha tido um sonho — um sonho de rebelião contra os humanos que fazem da vida dos animais, dentro e fora daquela fazenda, tão miserável, trabalhosa e curta. Como seria se, um dia, o jogo virasse? Inspirados por essa ideia, galinhas, cavalos, cachorros, patos e ovelhas começaram a arquitetar — sob a liderança dos porcos — uma forma de tomar o poder. A iniciativa acabou funcionando, e tanto o fazendeiro quanto seus empregados foram enxotados da propriedade para irem se embriagar, derrotados, nos bares da vizinhança. O Solar passou a ser regido pelo Animalismo, uma doutrina baseada em sete princípios e que, em suma, consistia em afirmar que “quatro patas, bom. Duas patas, ruim”.

Tudo segue em ordem, e sem a interferência de seres de duas patas, até que os dois líderes suínos, Bola de Neve e Napoleão, entram em conflito. E é aí que a alegoria que o livro faz do totalitarismo começa a ficar mais evidente, já que os bichos se deixam levar pelas promessas de segurança, pelas acusações infundadas e pelo discurso de um porco que centraliza em si todas as decisões, mas faz parecer que o bem comum está acima de tudo. Na realidade, os demais não percebem que, pouco a pouco, vão perdendo a liberdade e passando a viver dominados pelo medo.

As cenas de violência são exacerbadas por conta do traço e das cores utilizadas por Odyr, e com isso a crueldade acaba sendo um elemento presente ao longo de boa parte do livro. A mensagem deste “conto de fadas rural”, afinal, não é das mais palatáveis, e trata de temas como opressão, manipulação da opinião pública e perseguição política. O rebanho simplesmente repete aquilo que lhes é falado pelo ditador e comemora quando o Animalismo inclusivo de outrora é modificado para fazer sentido somente à oligarquia, cujos interesses escusos levam-na a estabelecer relações com aqueles que costumavam ser inimigos.

Leitura obrigatória, ainda mais pela edição primorosa.

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Ronan Sato
Especialista em assuntos aleatórios. Apesar de descendente de japoneses, não sabe afirmar com certeza se prefere comida indiana ou sushi.

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